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Precisamos de arte para quê?

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  Foto: Tili Oliveira Cada vez que alguém me faz essa pergunta, eu juro que conto até dez para que eu não haja exatamente como provavelmente essa pessoa espera, ou seja, sem a arte de ter paciência e tentar ver o que realmente há por tráz da pergunta. Sim, eu sei que é um debate que não pode feito de forma raza, sem embasamento, ou qualquer outra coisa que a pessoa mereça que eu aponte para fazer a defesa de algo tão importante como penso que seja a arte em si, mas o que eu quero aqui, de verdade, não é isso. Eu não quero citar os pensadores clássicos da Grécia antiga, ou os antropólogos todos que estudei na graduação de Ciências Sociais d aUSP, ou ainda os defensores da Arte Moderna, grande fenômeno (segundo especialistas do mundo todo) realizado no Brasil em 1922. Eu hoje, ao voltar a escrever por aqui, depois de um turbilhão de coisas que aconteceu comigo e com minha família nos últimos dias, quero apenas dizer uma coisa: A minha caminhada por essa vida não seria absolutamente N...

Mãe, filho e marido

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Foto: @TanteSilva De dentro da gente saem sempre outras gentes bem diferentes. Saem pelos orifícios mais estranhos, mas saem também de dentro dos nossos olhos: - lágrimas, ciscos, brilhos e piscadelas. Essas gentes, pessoas incrivelmente lindas, grandes ou pequenas Sempre deixam em nós pedacinhos delas ou levam da gente infinitos pedaços grandes. Pais e filhos, mães e netas, sobrinhas, tios, avós e bisavôs... São tantos pincéis em ação Tanto carvão riscando o papel das nossas vidas Espalhado cores, contornos e deixando fagulhas ou fragmentos Que se espalham pra dentro e pra fora da gente Criando um infinito de possibilidades-gentes. Chegamos ao ponto, enfim, de nos perdermos no horizonte infinito de nossas ancestralidades. Aos meus mais velhos: minha gratidão por me trazer até aqui. Aos meus mais novos: minha gratidão por levarem a mim para um futuro que eu verei com os seus/meus/nossos olhos!

A Música muda tudo

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  imagem: ChatGTP Dias comuns demais às vezes me são incômodos. Então eu invento. Quando caminho, percebo que ao meu redor o som é estranhamente alto , quase ofensivo aos meus ouvidos. Às vezes, o automático da vida não me deixa notar. Mas, na maioria das vezes, esse ruído me aborrece. Então eu invento. Invento minha trilha sonora, o meu próprio som. Coloco os fones e deixo que a música que escolho seja a sonoplastia do meu dia. Deixo meus pés caminharem no ritmo da visão que quero ter do mundo. Olho ao meu redor e sinto as árvores dançando comigo. Percebo os olhares sobre mim e me imagino irmanada a cada ser ao meu entorno — e além! E, em poucos minutos, meu mundo muda: o ritmo, a monotonia, a cacofonia. E eu já não sou mais só, perdida num mundo caótico, barulhento e incolor...

Sendo onipotente hoje

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Imagem: ChatGPT Hoje estou fazendo acordo até com o caos. Não tenho pretensão de discutir com ninguém — nem com nada. É impossível resolver tudo sem ter todas as ferramentas necessárias. Caminhar é, e sempre será, a única escolha possível. Por isso, dei uma chance à pretensão de ser uma Deusa. Só por hoje, pretendo ser onipotente: decidir o que vou sentir ao caminhar pela vida caótica à minha volta. Alguns instintos nos dizem, às vezes, para deixar pra lá e desistir. Outras vezes, sussurram: “corra, sua louca, corra atrás e acerte o mal com uma pedrada”. E às vezes, você ouve o instinto. Outras, faz “ouvidos de mercador” e apenas segue em frente. Hoje, eu sou uma Deusa — e não quero resolver nada que não seja tão perfeito quanto uma linda árvore.

Por Inquietude

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  Imagem: ChatGPT Meus dias andam inquietos — o vento ruge em meus ouvidos como um leão chamando o seu bando.   Meu coração decidiu doer nestes dias, como se pressentisse um mal que em breve deve chegar.   Caminho recolhendo as últimas flores que os ipês derramam em despedida, sentindo o clamor das árvores pela chuva que chega — pouco, ou quase nada.   Há um lado da caminhada que me pede para seguir em frente, sem hesitar diante do que virá. O outro grita para eu parar, para me render — sim, ao desespero.   As folhas que batem em meu rosto vêm com o vento e as pequenas gotas da garoa que teima em cair; são espinhos em minha pele, sussurrando que é hora de recolher, de esperar.   Não há jeito fácil de chegar ao fim dessa caminhada, mas desejo que, ao menos, as dores sejam menos insistentes — que cessem enquanto tento me concentrar nos passos pelas ruas tão impermeáveis.   E então, quando sinto o sol e fecho minhas pálpebras por segundos ...

Um novo caminho se desenha

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Imagem: ChatGPT   Um novo caminho se desenha. Aos poucos ele vai se consolidando como uma possibilidade interessante. Dificuldades se seguem, fios emaranhados, semáforos intermináveis, prédios e mais prédios... Mas a vida se desenrola plena, mesmo que não entendamos como. Sigo apreciando o céu e as novas árvores e plantas que encontro pelo caminho. Demorei bastante para querer seguir pelos novos espaços, mas parece que o tempo das dificuldades sempre me leva à busca por novas paragens, como que para meditar. Sim, meditar é preciso, mas é muito difícil quando os ruídos não querem cessar dentro de nós. Quando as matracas não param de falar em nossas cabeças, nos aborrecendo com problemas, horários, compromissos e uma série de outras coisas inúteis, fica complicado dar vazão ao silêncio. Mas se insistirmos em seguir, mesmo sentindo todas as dores e dissabores, acredito que, em algum momento a música cessa e o breu infinito de instala, fazendo com que apenas os outros sen...

Enquanto há vida

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  Hoje caminhei mais uma vez em solitude. Uma caminhada difícil e necessária para tentar desafogar um pouquinho a alma de seus anseios e medos. Na minha utopia de vida, ninguém morre, sabe?! Sei lá, eu sempre espero que ninguém ao meu redor vá morrer. Sempre acredito que vá viver eternamente. Não que eu acredite de verdade nisso, mas a vontade está sempre ali, maior que a razão. Felizmente ou não, para a vida em si, continuar em frente é justamente efetivar o desaparecimento de alguém para que haja espaço para outrem. É da vida, dizem. Mas deveriam dizer “é da morte”. Mas sabemos que a utopia de todos é sempre reservada aos nossos próprios botões. É da nossa natureza sermos egocêntricos, fazer o quê? Assim como os escorpiões, não conseguimos evitar. Tá lá o morto estendido no chão, como dizia a música de Chico, mas ao passarmos por ele/ela, pensamos automaticamente: “ainda bem que não é ninguém que eu conheço”. Sempre tentamos preservar aqueles que nos são mais próximos, mais caros...