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Sim, sou uma bruxa!

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  Percebo coisas que outras pessoas não percebem, mas me aquieto e quase sempre guardo para mim. Às vezes gostaria de não sentir nenhuma destas coisas, mas é impossível mudar a natureza de quem se é. Não sei de onde veio, mas sei que estava aqui deste tempos imemoriais. Dentro de cada fibra do meu corpo. E essa intensidade é tão dura e implacável que às vezes dói! Dói mesmo, de verdade! Dói perceber as maldades antes da maioria das pessoas; sentir o amor onde ninguém é capaz e não ter como convencer ninguém disso. Ouvir, sentir, cheirar como um bicho... Fluir pela energia do sol, das plantas, da lua, da chuva e do frio e lindo e arrebatador. Perceber que cada árvore fala comigo desde a infância, e saber, por pior que seja isso, que eu as ouço. Sempre, sempre e sinto dor em cada corte que fazem, cada poda, cada galho quebrado. Cada xícara de chá natural me altera de alguma forma; me ensina algo sobre mim; me acalma ou me envolve infinitamente na luta que virá. Não, eu não gosto de p...

Em vivo!

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Imagem: ChatGPT O menino olha, mas não me vê. Viaja sob as luzes piscantes do tempo em que ele escolheu estar. Seus cabelos exprimem sua indiferença com o mundo que o rodeia Para que pente, escova? Não, estou bem assim. Ele ama estará ali, vivo, junto daquelas pessoas tão diversas e lindas! Ele fica tão feliz que, sem perceber dança aleatoriamente. Sem música, sem assovio, sem sequer um vento soprando Ele exprime sua felicidade. “Ela é perfeita, aquela que me entende sem nada dizer.” “Ela me trouxe aqui e aqui eu quero ficar.” Ele já quis partir desse mundo, por não conseguir entendê-lo, mas agora ele a encontrou. E a agora ele está feliz por estar vivo. E agora ele sempre dança...

Passos

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  Um passo por vez, e a vida vai se endireitando Passadas longas Passadas curtas Passadas curtíssimas com saltinhos quase infantis Mas como dizem por aí: - Devagar se vai ao longe, então você desacelera. E por fim estanca, ao ver uma névoa branca no final do horizonte. Aquilo te lembra a vontade necessária de descansar E, como uma coisa puxa a outra, Você percebe que ali na frente tem um semáforo vermelho Onde seu transporte, sem querer, também parou. Então, você volta a correr E enfim consegue seguir viagem para o seu destino final. No caminho, outros percalços com certeza devem acontecer Mas nesse momento, outra certeza que você terá, é que está seguindo, com certeza, em frente!

Autocuidado e infância

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  Foto: Tili Oliveira Quem deseja ser imperturbável e sereno deve aprender a não se incomodar com o que está fora de seu controle - Sêneca Como quase todo mundo, atualmente tenho lido e ouvido muito sobre ser uma pessoa melhor, mais feliz, mais produtiva e menos estressada. Ando então, redescobrindo a filosofia. Percebi nos últimos dias, nessas andanças pela literatura clássica e filosófica, que meu espírito sempre vagou pela seara da busca pelo bem-estar pessoal, mas inconscientemente! Estou sempre às voltas com meus óleos essenciais, textos de poesia, rodas de mulheres, passeios ao ar livre. Essa coisa de gente estranha, como diz a geração Z. E tenho também refletido muito sobre minha infância, juventude e trabalho ao longo da vida, o que marca ainda mais um desejo muito precoce de ver tudo ao meu redor funcionando em harmonia com o Cosmo (nem sie de onde tirei essa coisa de funcionar em harmonia com um Cosmo que me parece cada vez mais caótico!). Ocorre que, na falta de ...

Precisamos de arte para quê?

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  Foto: Tili Oliveira Cada vez que alguém me faz essa pergunta, eu juro que conto até dez para que eu não haja exatamente como provavelmente essa pessoa espera, ou seja, sem a arte de ter paciência e tentar ver o que realmente há por tráz da pergunta. Sim, eu sei que é um debate que não pode feito de forma raza, sem embasamento, ou qualquer outra coisa que a pessoa mereça que eu aponte para fazer a defesa de algo tão importante como penso que seja a arte em si, mas o que eu quero aqui, de verdade, não é isso. Eu não quero citar os pensadores clássicos da Grécia antiga, ou os antropólogos todos que estudei na graduação de Ciências Sociais d aUSP, ou ainda os defensores da Arte Moderna, grande fenômeno (segundo especialistas do mundo todo) realizado no Brasil em 1922. Eu hoje, ao voltar a escrever por aqui, depois de um turbilhão de coisas que aconteceu comigo e com minha família nos últimos dias, quero apenas dizer uma coisa: A minha caminhada por essa vida não seria absolutamente N...

Mãe, filho e marido

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Foto: @TanteSilva De dentro da gente saem sempre outras gentes bem diferentes. Saem pelos orifícios mais estranhos, mas saem também de dentro dos nossos olhos: - lágrimas, ciscos, brilhos e piscadelas. Essas gentes, pessoas incrivelmente lindas, grandes ou pequenas Sempre deixam em nós pedacinhos delas ou levam da gente infinitos pedaços grandes. Pais e filhos, mães e netas, sobrinhas, tios, avós e bisavôs... São tantos pincéis em ação Tanto carvão riscando o papel das nossas vidas Espalhado cores, contornos e deixando fagulhas ou fragmentos Que se espalham pra dentro e pra fora da gente Criando um infinito de possibilidades-gentes. Chegamos ao ponto, enfim, de nos perdermos no horizonte infinito de nossas ancestralidades. Aos meus mais velhos: minha gratidão por me trazer até aqui. Aos meus mais novos: minha gratidão por levarem a mim para um futuro que eu verei com os seus/meus/nossos olhos!

A Música muda tudo

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  imagem: ChatGTP Dias comuns demais às vezes me são incômodos. Então eu invento. Quando caminho, percebo que ao meu redor o som é estranhamente alto , quase ofensivo aos meus ouvidos. Às vezes, o automático da vida não me deixa notar. Mas, na maioria das vezes, esse ruído me aborrece. Então eu invento. Invento minha trilha sonora, o meu próprio som. Coloco os fones e deixo que a música que escolho seja a sonoplastia do meu dia. Deixo meus pés caminharem no ritmo da visão que quero ter do mundo. Olho ao meu redor e sinto as árvores dançando comigo. Percebo os olhares sobre mim e me imagino irmanada a cada ser ao meu entorno — e além! E, em poucos minutos, meu mundo muda: o ritmo, a monotonia, a cacofonia. E eu já não sou mais só, perdida num mundo caótico, barulhento e incolor...