Autocuidado e infância

 

Foto: Tili Oliveira


Quem deseja ser imperturbável e sereno deve aprender a não se incomodar com o que está fora de seu controle - Sêneca

Como quase todo mundo, atualmente tenho lido e ouvido muito sobre ser uma pessoa melhor, mais feliz, mais produtiva e menos estressada. Ando então, redescobrindo a filosofia.

Percebi nos últimos dias, nessas andanças pela literatura clássica e filosófica, que meu espírito sempre vagou pela seara da busca pelo bem-estar pessoal, mas inconscientemente! Estou sempre às voltas com meus óleos essenciais, textos de poesia, rodas de mulheres, passeios ao ar livre. Essa coisa de gente estranha, como diz a geração Z.

E tenho também refletido muito sobre minha infância, juventude e trabalho ao longo da vida, o que marca ainda mais um desejo muito precoce de ver tudo ao meu redor funcionando em harmonia com o Cosmo (nem sie de onde tirei essa coisa de funcionar em harmonia com um Cosmo que me parece cada vez mais caótico!).

Ocorre que, na falta de uma cultura de bem cuidado, entendi que desde criança eu procuro pelo lugar aconchegante e feliz dos meus sonhos neste mundo em que vivemos, chamado Planeta Terra. De verdade, sempre levei essa busca muito à sério! E aí, me chocou perceber (como se eu não soubesse) o quanto é importante recebermos atenção quando ainda somos dependentes dos adultos. O quão é fundamental a presença de nossos pais e irmãos e parentes mais próximos em nosso mais inocente caminhar!

Não me refiro simplesmente a traumas infantis por abandono ou falta de cuidados básicos com alimentação, vestuário e educação. Não! O problema é bem mais embaixo. E só de pensar e escrever sobre isso aqui, eu já me emociono.

E aí me surpreendo (caramba!) em como eu fui uma criança feliz e bem resolvida, mesmo faltando tanta coisa na minha pequenina vida de outrora! E como eu chorei sozinha pelos cantos, para não aborrecer minha mãe já tão atarefada. E como eu brinquei sozinha e me apeguei à natureza das plantas por não ter com quem conversar, por não ter quem me ouvisse sem ignorar o que eu pensava sobre o mundo. E como eu era autossuficiente, me arrumando desde os 5 anos, e fazendo minha própria comida, mesmo antes de completar os 10! E em como eu tinha medo de tantas coisas, mesmo não admitindo pra ninguém (nem para mim mesma!).

Minha mãe foi uma guerreira - eu sempre soube disso, mas também falhou comigo. Muito mais por culpa do sistema, que a empurrou sozinha a cuidar de tantos filhos e depois, já na idade madura, a cuidar de uma filha temporã cujo pai não queria mais responsabilidades em sua já tão confusa vida.

Eu nunca sucumbi, me orgulho muito disso! Em minha caminhada sempre busquei, na medida do possível, o caminho reto, como me ensinou minha mãe. Mas, sinceramente, na boa, como isso foi dolorido e desgastante para minha alma! Puxa vida! E não é mimimi não gente, é dor mesmo! Dor na alma, no coração. Vontade de sentar e chorar até não ter mais lágrimas, sabe?!

E antes que alguém se preocupe, não, eu não estou em depressão e nem triste. Ao contrário. Estou muito feliz nos últimos. E acho até que, somente por isso estou conseguindo pensar tão profundamente sobre coisas tão delicadas e preciosas para mim.

Então é esse o caminhar de hoje. 

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